domingo, 24 de junho de 2012

A questão vital para a criança e para o adulto

     Me parece, que a questão vital para uma criança é relativamente simples: "como e o que devo fazer para ser amado??"
     Enquanto no centro da experiência afetiva do adulto (que  é de natureza muito semelhante), penso que encontramos um  reflexo pouco alterado ou um desdobramento da mesma pergunta com o seguinte acréscimo: "como e o que devo fazer para sustentar a posição de ser amado (contando é claro, que ele já chegou lá) e ainda ser capaz de amar outrem??"
     Realmente trata-se de um problema esmagador e não é de se espantar que tantos adultos adoeçam ou sofram de sérias dificuldades por não saber a exata resposta para esta pergunta fundamental do psiquismo e do coração humano.
     Até porque, me arrisco a dizer que este tipo de resposta não existe pronta; ela tem que ser árdua e, de certa forma, penosamente construída por cada um através de sua própria experiência de vida. Trata-se de uma tarefa inalienável!!

A tragédia de Narciso

      A capacidade de um sujeito de se colocar (abstrata e empaticamente) no lugar de outro ser humano é um dos mais importantes indicadores de amadurecimento (saúde psíquica) no desenvolvimento emocional da pessoa humana. 
      Neste ponto, revela-se o fracasso e a patologia dos casos de narcisismo exacerbado: a personalidade "narcísica" é basicamente incapaz de alteridade e até mesmo de qualquer exercício que envolva a compaixão como modalidade de afeto. Em sua imaginação fantástica ela (a personalidade narcísica) realmente acredita que - assim como um espelho reflete sua própria imagem -, todas as outras pessoas deveriam também pensar, agir e sentir do mesmo modo que ela pensa age e sente.
      E é justamente por não tolerar diferenças, que geralmente essa personalidade apresenta dificuldades em estabelecer vinculos e se relacionar com os outros. Quando a régua pela qual se avalia o valor dos outros é o próprio Eu da pessoa, é natural que todo o mundo se revele imperfeito e inadequado; e é por isso que a sabedoria mítica revelou que a tragédia de Narciso ocorreu simplemente pelo fato  de o mesmo "bastar-se a si" mesmo.      

Comunicação

      É impressionante, mas na comunicação humana o desencontro é a norma, enquanto o entendimento mútuo é uma rara excessão.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Shakespeare sabia disso

      A felicidade possui claramente um começo, um meio e um fim. O sofrimento, não. Enquanto a primeira atinge o seu apogeu, o segundo é ilimitado; sempre existe a possibilidade de sofrer mais um pouquinho... e Shakespeare sabia disso...

sábado, 16 de junho de 2012

O pensamento é imortal

      Nem mesmo um punhal ou uma bala de canhão é capaz de matar um pensamento. Se a eternidade existe, apenas eles (nossos pensamentos) a conhecem.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

É triste (revisado)

      É triste, mas em determinados casos, a observação clínica atesta que algo sucede a um sujeito (possivelmente da ordem de um trauma), que o panorama "lógico" e saudável de sua corrente de afetos se inverte: a partir daí, o mesmo, estranha e compulsivamente, passa a temer mais ser rejeitado do que desejar ser amado.

É triste

      É triste, mas exageradas vezes, parece que o nosso coraçãozinho (o meu em especial) teme mais ser rejeitado do que deseja ser amado.
      Fazer o quê??
      Ter paciência...

terça-feira, 12 de junho de 2012

Quando os meios justificam os fins?

      Os meios jamais podem justificar os fins, por um simples motivo: sempre e em qualquer lugar, a única coisa que torna possível a justificação de um fim - tanto quanto de um meio - é um princípio. Portanto, todo aquele que equivocadamente julga que seus meios podem justificar seus fins, está completamente perdido. Certamente, ele não está em condição alguma de estabelecer qualquer direção para sua vida, pois ele não é capaz nem ao menos sequer, de saber aonde está.

domingo, 10 de junho de 2012

Pergunta do dia

      Como é possível demonstrar ou transmitir aos outros segurança e autoconfiança quando, no íntimo, nos sentimos inseguros e não confiantes?

domingo, 3 de junho de 2012

Zygmunt Bauman e o diagnóstico da pós-modernidade


      Eis o diagnóstico (à primeira vista trágico) emitido pelo sociólogo Zygmunt Bauman com relação ao mal-estar atualmente vivido pelos homens e mulheres do século XXI: "nós não encontramos ainda um equilíbrio entre as duas formas básicas de ser e estar no mundo: a liberdade e a segurança".
      Isso significa que, geralmente, quando estamos livres nos sentimos inseguros; e, ao inverso, quando estamos seguros nos sentimos prisioneiros.
Daí decorrem duas conclusões básicas:
1- Parece que uma solução para o desequilíbrio psicológico entre os sentimentos de liberdade e segurança é algo da ordem do impossível;
2- Como não possuímos qualquer certeza absoluta com relação a este problema, não podemos (e nem devemos) desistir de procurar alguma solução.
       Agora eu pergunto: esse "senhorzinho" é ou não é o máximo?