quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O problema com o mundo

      Honestamente, tenho a impressão de que quando nós olhamos para o mundo e, no entanto, jamais conseguimos ver nele algo de bom ou de belo, talvez, seja mais interessante cessarmos a nossa crítica em relação a ele, e voltarmos o olhar questionando a qualidade de nossa própria visão; decerto, o mais sensato é perceber que, nestes casos, a "falha" (se é que se pode dizer assim) ou a falta de Graça e beleza  não tendem a residir no mundo externo, e sim na nossa pobre, frágil e limitada capacidade interior para enxergá-lo.
      Não apenas em paralelo, mas sustentando à miséria do mundo externo, apenas pode residir uma miséria mais profunda e mais misteriosa, que é justamente a miséria que - como um fantasma no meio da madrugada - espreita em nosso interior.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Liberdade ou Escravidão: a tirania do "novo" na paranóia moderna

      A novidade é, atualmente, a droga que mais consome e, ao mesmo tempo, é consumida pela cultura pós-moderna. A ansiedade constante que impele ao movimento e o imperativo categórico mercadológico (ambos face da mesma moeda) que indica que deve-se a todo momento viver algo novo não está mais no âmbito das escolhas humanas, pois eles são em verdade, uma de nossas mais secretas compulsões. 
      Em outras palavras, estamos mais próximos de escravos que precisam utilizar-se do novo como um narcótico para evadir-se das dores da existência, do que homens livres capazes de autonomamente discernir entre os caminhos que levam ao bem ou ao mal - isto é, entre aquilo que conduz no sentido do amadurecimento psíquico ou do infantilismo neurótico.