segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Tem coisas que só na imaginação mesmo

      Sinceramente, admiro muito o poder imaginativo dessas pessoas que conseguem articular os opostos inconciliáveis, tipo: cristianismo e uma vida feliz; psicanálise e otimismo; capitalismo e equidade; ou ainda, comunismo e democracia.
      Em primeiro lugar, a imagem que faço de Jesus Cristo é de um homem crucificado, sangrando, cuspido, torturado e pregado em uma cruz, com o objetivo nada modesto de absorver os pecados do homem no mundo. Não existe cristianismo "light" para ser comprado no supermercado e, um grande (ou o maior) motivador de seu autosacrificio, foi, a meu ver, o combate ao hedonismo e a idolatria pagã que tentam até hoje vender a falsa imagem do mundo como um parque de diversões.          
      Em segundo, Sigmund Freud foi um cientista obstinado, que se viu diante do mal no espelho do mundo, e constatou, com uma intuição muito clara e direta, o impulso compulsivo demoníaco que impele a própria vida à destruição; não é nada fácil olhar no âmago da psique humana e observar o desejo de morte como o núcleo real e mais profundo da vida anímica. Não existe espaço para o otimismo e o sucesso material ou metafísico na cosmovisão projetada por esse bom senhor, que foi capaz de enfrentar nada menos do que duas guerras mundiais (com a perda de pelo menos um filho em uma delas), um câncer maligno e uma perseguição acadêmica e intelectual incessante com uma dignidade de cunho similar ao do estóico e, assim sendo, pode manter ainda um espaço para aberto para gentileza em seu amargurado coração.
      Em terceiro lugar, bem, penso simplesmente que o abismo salarial que observamos não apenas em nosso país mas em todo o mundo, reflete justamente a importância e o valor atribuído a cada trabalhador de acordo com as necessidades de funcionamento do sistema capitalista. Não existe qualquer embasamento moral para isso e nem adianta procurar, pois o capitalismo em seu estágio mais atual se desvencilhou totalmente de qualquer entrave ético. Por este motivo, o assustador e terrível grau de diferença salarial com o qual convivemos atualmente, pode corretamente ser considerado como desigual e até perverso (eu mesmo acho isso), mas não o é igualmente injusto. O fato é que, um Neymar da vida, é muito mais importante para o movimento do mercado do que um gari (em detrimento da importância imensamente maior, efetiva e real do gari para todos nós, humildes mortais; eu, por exemplo, detesto lixo!). Logo, a injustiça é evidente, mas ela somente aparece para aqueles que desconfiam e se posicionam de uma maneira crítica com relação ao sistema econômico dominante. Porém, para todos aqueles que confiam na prosperidade do sistema capitalista essas distinções praticamente inexistem. E pior, no íntimo, eles ainda acreditam na possibilidade de um dia ganhar tão bem quanto Neymar... ufff! Tudo isso seria até cômico, se não fosse tão trágico!
      Em quarto, pensar que comunismo é compassivo com a democracia é um erro cabal; estilo débil mental! Não adianta, não existe o menor suporte para a utopia marxista depois do banho de sangue que foi o século XX. Eu até respeito Karl Marx, pois, ao contrário de muitos opositores, reconheço o caráter humanista de seu pensamento, mas o fato é que os fins não justificam os meios como propõe a vanguarda revolucionária (é um contrasenso brutal e estúpido querer impor a justiça moral pela força do facão); e sem um forte embasamento ético ou moral (que é da alçada ou da filosofia ou da religião), a verdade é que o sujeito se deleita com a destruição do seu vizinho em nome de seu próprio e abstrato ideal... Com efeito Marx foi muito melhor historiador e economista do que filósofo e psicólogo. Ele não compreendeu as profundezas do terror e do desespero que fundamentam a psique humana (afinal, o homem é o único animal que traz a cicatriz macabra da foice negra marcado no seio de seu coração); igualmente, não entendia patavinas sobre a psicodinâmica da culpa na formação do caráter humano (em linguagem mais filosófica, diríamos na ontologia da criatura); em suma, ele cometeu o imperdoável erro de confiar demasiadamente na neutralidade e nas potencialidades do homem, e esse erro, custou muito caro para todos os radicais fanáticos que o leram e o seguiram com um nível muito baixo de posicionamento crítico. Uma vergonha de poucos precedentes na história da civilização européia!    
      É, eu até adimiro mesmo o alto teor imaginativo desses indivíduos que são capazes de harmonizar os impossíveis, mas infelizmente, esses tipos de confabulações ideativas não se sustentam após um minimo teste de confrontação de forças imposto pela dura realidade da experiência e, desse modo, penso honestamente que seria melhor (ou eu prefiriria) que, em vez de ficarem tagarelando e atormentando o mundo com seus devaneios carnavalescos ou alucinações fantasmagóricas, a maioria deles (não precisava nem ser todos) ficassem mais tempo quietos dentro de casa - quem sabe refletindo, meditando, estudando ou até dormindo? - e deixassem o pouquito restante de nossa sanidade, em paz!

sábado, 28 de janeiro de 2012

????

Sabadão, madrugada maravilhosa. Acabo de assitir a divina estória de Moisés em "Os 10 mandamentos".
Estou intrigado: como pode o meu bom senhor Deus, me conceder uma cabeça de 50 anos, num corpinho de 28?
Oh céus, mas que crueldade!

O poder do olhar

Eu ainda não me conformo, mas existe um número nada pequeno de pessoas que, por manterem-se quase completamente absorvidas pelas bobagens do dia-a-dia, tornaram-se tão obtusas (tapadas), que agora já estão totalmente incapazes de reconhecer o poder inebriante e a mais exuberante beleza e magnificência de um simples olhar humano.
Podem me chamar de romântico, que eu não me incomodo...  Honestamente, acredito no poder curativo e restaurador do olhar humano até mesmo para as mais profundas dores da alma!
Porém, se, como atesta o sábio provérbio, “os olhos é que costituem a verdadeira janela da alma”, então nada será mais automático e mecânico para o ser desalmado, do que fechar seus próprios olhos para todos os milagres; inclusive ou principalmente, para os desta magnífica sutileza.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A vaidade

A vaidade agrilhoa a alma do sonhador na prisão do corpo que se degenera e assim, corrói também por completo a entrada para o paraíso do infinito representado (no planeta Terra) pelas verdades eternas do espírito!


     

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Shakespeare sempre estará certo

Há um certo tempo, já ficou muito claro para mim que a vida nada mais é do que uma alucinante peça de teatro (como muito bem sabia Shakespeare), mas que, no entanto, ela apresenta ainda uma pequena e extraordinária diferença: nela (na vida) não existe qualquer diretor que possa nos auxiliar a representar o nosso papel. Estamos desesperadamente condenados ao isolamento e a incerteza (e, portanto, à angústia) em absolutamente todas as nossas ações...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Afinal, uma mulher pode ser um objeto do desejo de um homem?

      É até um pouco óbvio demais, afirmar que o que um homem deseja em uma mulher é aquilo que apenas ela, e mais ninguém pode lhe oferecer.
      Atualmente, no entanto, a simples ideia de que um homem aspire a uma mulher como um puro objeto de seu desejo causa repugnância para muitas mentes, pois a mulher não pode mais ser reduzida a um mero objeto do desejo masculino. Se antes mesmo da revolução feminina, já não se podia fazer qualquer tipo de generalização com relação ao enigma do universo feminino, o que já era uma confusão total, virou agora, de vez, totalmente de cabeça para baixo.
      Mas como sou um pouco abusado, acho que ainda é possível arriscar alguma opinião: O fato de um homem conceber e desejar uma mulher como um mero objeto erótico não representa de forma alguma a decadência das relações conjugais (e, portanto, também sexuais) entre homem e mulher. Muito pelo contrário, é isso que abre as portas para a construção de qualquer relação amorosa tal como a concebemos em nosso modelo padrão de relacionamento matrimonial e monogâmico (o que vale igualmente para qualquer namoro ou relacionamento sério deste tipo).
      Se o elemento "objeto" for excluído deste tipo de relacionamento, na melhor das hipóteses, teremos uma bela de uma amizade, que segundo Freud, nada mais simboliza do que uma relação também de tipo sexual, mas com um potente grau de inibição em seu alvo final.
      Por este motivo, se voce é uma mulher "casada" e o seu marido é capaz de te ver como um objeto sexual, agradeça, por que no caso contrário sim, voce deverá enfrentar sérios problemas...
      Pode ser que outra questão não menos problemática se torne manifesta quando não se é mais nada do que um objeto sexual e isso, eu tendo a concordar que reflete apenas o empobrecimento do espírito humano. Mas condenar o homem que se sente atraído por uma mulher predominantemente em função de seus atributos físicos (na linguagem popular, basicamente porque ela possui "peitos" e "bunda" interessantes) é coisa de quem não entende patavinas de relações eróticas entre homem e mulher (geralmente, me parece mais que este, ou é um indicador indireto de histeria, ou é o pensamento dominante nas mulheres que não são capazes de despertar nenhum interesse nos homens - mesmo em detrimento de suas características físicas, emocionais ou intelectuais).
       Talvez, se invertermos o racíocinio inicial, possamos deixar mais claro o drama que se apresenta na situação que estou tentando descrever: do ponto de vista erótico, uma das piores experiências pelas quais uma mulher pode passar não tende a ser o fato de ela ser reduzida a um objeto sexual para o homem; me parece, que neste sentido, o horror total se instala justamente quando ela não é mais considerada um objeto sexual para ninguém. É aí que a dor da paixão revela a sua mais desagradável morada! 
      Em síntese, o fato é que, no plano do erótico (sexual), prevalece como traço psíquico masculino distintivo o desejo de desejar; e como traço psíquico feminino o desejo de ser desejada. Logo, eu sou mesmo um desses que considera o desacordo entre os caracteres psicológicos masculinos e femininos como estrutural. Não existe possibilidade de um acordo pleno, integral e duradouro entre os gêneros; isto é, o abismo sempre prevalece e o desentedimento é a norma! E é por isso que mulheres fisicamente bem dotadas frequentemente deixam os homens embaraçados; sempre haverá espaço para desejá-las mais. Enquanto, no caso das mulheres, a recíproca não é verdadeira, pois em primeiro lugar, importa mais para elas, "ser desejada(s) por aquele(s) que ela(s) deseja(m)", e todo o restante dos homens ficam então para segundo plano.
      Tudo isto significa que, no caso dos homens heterosexuais manifestos, ser capaz de se sentir atraído pelos dotes específicos do corpo de uma mulher é a premissa básica da relação erógena. Por este motivo então, penso eu, que as mulheres na realidade teriam muito mais motivos para se indignarem quando é este o fenômeno que está ausente: o desejo erótico do homem que faz da mulher seu objeto sexual;  Em outras palavras: quando nenhum homem mais puder eleger uma mulher como o seu objeto sexual preferencial, a amargura feminina será quase fatal e a insatisfação sexual tanto do homem quanto da mulher, se tornará geral.    

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Quando eu escuto Mozart

Quando eu escuto Mozart, eu fico tão emocionado, mas tão feliz, que eu acho que vou morrer!
Até parece mesmo que a obra deste homem apenas poderia ser explicada como um presente divino... ou será que, mais precisamente, trata-se tão somente de mais uma oferenda humana ao elemento divino?

domingo, 22 de janeiro de 2012

O último dançarino de Mao

Para todos aqueles que tiverem uma oportunidade, recomendo muito assistirem ao filme "O último dançarino de Mao". É lindo e duro do começo ao fim! E ainda mais: o filme é capaz de apresentar com extrema sutileza a brutal diferença entre um sistema político de cunho mais democrático e outro de tendência mais totalitária (penso que ele é capaz de habilmente exterminar qualquer uma das distorções e delírios geralmente evocadas pela alucinada ortodoxia marxista, demonstrando de forma paradigmática os efeitos altamente degradantes produzidos pela revolução proletária no caso da China maoísta).
Sobre este ponto, eu concordo que em alguns casos a ignorância pode ser uma benção, mas ocorre que em muitos outros, ela ( a ignorância), denota nada menos que uma grave falha de caráter; uma injustificável subserviência ao mal; ou na melhor das hipóteses, um disfarce socialmente aceitável para a misantropia (ódio pela humanidade).
O importante mesmo é que cada um que se interesse por estas questões de natureza sociopolítica assista ao longa e possa então, a partir da experiência, expressar suas próprias opiniões.
No entanto, ressalto que o filme vai muito além do plano político e oferece ainda um incrível deleite do ponto de vista estético.
Realmente acho muito díficil alguém que assistiu dizer depois que não valeu a pena!