Sinceramente,
admiro muito o poder imaginativo dessas pessoas que conseguem articular os
opostos inconciliáveis, tipo: cristianismo e uma vida feliz; psicanálise e
otimismo; capitalismo e equidade; ou ainda, comunismo e democracia.
Em primeiro lugar, a imagem que faço de Jesus Cristo é de um homem crucificado, sangrando, cuspido, torturado e pregado em uma cruz, com o objetivo nada modesto de absorver os pecados do homem no mundo. Não existe cristianismo "light" para ser comprado no supermercado e, um grande (ou o maior) motivador de seu autosacrificio, foi, a meu ver, o combate ao hedonismo e a idolatria pagã que tentam até hoje vender a falsa imagem do mundo como um parque de diversões.
Em segundo, Sigmund Freud foi um cientista obstinado, que se viu diante do mal no espelho do mundo, e constatou, com uma intuição muito clara e direta, o impulso compulsivo demoníaco que impele a própria vida à destruição; não é nada fácil olhar no âmago da psique humana e observar o desejo de morte como o núcleo real e mais profundo da vida anímica. Não existe espaço para o otimismo e o sucesso material ou metafísico na cosmovisão projetada por esse bom senhor, que foi capaz de enfrentar nada menos do que duas guerras mundiais (com a perda de pelo menos um filho em uma delas), um câncer maligno e uma perseguição acadêmica e intelectual incessante com uma dignidade de cunho similar ao do estóico e, assim sendo, pode manter ainda um espaço para aberto para gentileza em seu amargurado coração.
Em terceiro lugar, bem, penso simplesmente que o abismo salarial que observamos não apenas em nosso país mas em todo o mundo, reflete justamente a importância e o valor atribuído a cada trabalhador de acordo com as necessidades de funcionamento do sistema capitalista. Não existe qualquer embasamento moral para isso e nem adianta procurar, pois o capitalismo em seu estágio mais atual se desvencilhou totalmente de qualquer entrave ético. Por este motivo, o assustador e terrível grau de diferença salarial com o qual convivemos atualmente, pode corretamente ser considerado como desigual e até perverso (eu mesmo acho isso), mas não o é igualmente injusto. O fato é que, um Neymar da vida, é muito mais importante para o movimento do mercado do que um gari (em detrimento da importância imensamente maior, efetiva e real do gari para todos nós, humildes mortais; eu, por exemplo, detesto lixo!). Logo, a injustiça é evidente, mas ela somente aparece para aqueles que desconfiam e se posicionam de uma maneira crítica com relação ao sistema econômico dominante. Porém, para todos aqueles que confiam na prosperidade do sistema capitalista essas distinções praticamente inexistem. E pior, no íntimo, eles ainda acreditam na possibilidade de um dia ganhar tão bem quanto Neymar... ufff! Tudo isso seria até cômico, se não fosse tão trágico!
Em
quarto, pensar que comunismo é compassivo com a democracia é um erro cabal;
estilo débil mental! Não adianta, não existe o menor suporte para a utopia
marxista depois do banho de sangue que foi o século XX. Eu até respeito Karl
Marx, pois, ao contrário de muitos opositores, reconheço o caráter humanista de
seu pensamento, mas o fato é que os fins não justificam os meios como propõe a
vanguarda revolucionária (é um contrasenso brutal e estúpido querer impor a justiça moral pela força do facão); e sem um forte embasamento ético ou moral (que é da
alçada ou da filosofia ou da religião), a verdade é que o sujeito se deleita
com a destruição do seu vizinho em nome de seu próprio e abstrato ideal... Com efeito Marx foi
muito melhor historiador e economista do que filósofo e psicólogo. Ele não
compreendeu as profundezas do terror e do desespero que fundamentam a psique
humana (afinal, o homem é o único animal que traz a cicatriz macabra da foice negra marcado no seio de seu coração); igualmente, não entendia patavinas sobre a psicodinâmica da culpa na formação do caráter humano (em linguagem mais filosófica, diríamos na ontologia da criatura); em suma, ele cometeu o imperdoável erro de
confiar demasiadamente na neutralidade e nas potencialidades do homem, e esse
erro, custou muito caro para todos os radicais fanáticos que o leram e o
seguiram com um nível muito baixo de posicionamento crítico. Uma vergonha de
poucos precedentes na história da civilização européia!
É, eu até adimiro mesmo o alto teor imaginativo desses indivíduos que são capazes de harmonizar os impossíveis, mas infelizmente, esses tipos de confabulações ideativas não se sustentam após um minimo teste de confrontação de forças imposto pela dura realidade da experiência e, desse modo, penso honestamente que seria melhor (ou eu prefiriria) que, em vez de ficarem tagarelando e atormentando o mundo com seus devaneios carnavalescos ou alucinações fantasmagóricas, a maioria deles (não precisava nem ser todos) ficassem mais tempo quietos dentro de casa - quem sabe refletindo, meditando, estudando ou até dormindo? - e deixassem o pouquito restante de nossa sanidade, em paz!
Em primeiro lugar, a imagem que faço de Jesus Cristo é de um homem crucificado, sangrando, cuspido, torturado e pregado em uma cruz, com o objetivo nada modesto de absorver os pecados do homem no mundo. Não existe cristianismo "light" para ser comprado no supermercado e, um grande (ou o maior) motivador de seu autosacrificio, foi, a meu ver, o combate ao hedonismo e a idolatria pagã que tentam até hoje vender a falsa imagem do mundo como um parque de diversões.
Em segundo, Sigmund Freud foi um cientista obstinado, que se viu diante do mal no espelho do mundo, e constatou, com uma intuição muito clara e direta, o impulso compulsivo demoníaco que impele a própria vida à destruição; não é nada fácil olhar no âmago da psique humana e observar o desejo de morte como o núcleo real e mais profundo da vida anímica. Não existe espaço para o otimismo e o sucesso material ou metafísico na cosmovisão projetada por esse bom senhor, que foi capaz de enfrentar nada menos do que duas guerras mundiais (com a perda de pelo menos um filho em uma delas), um câncer maligno e uma perseguição acadêmica e intelectual incessante com uma dignidade de cunho similar ao do estóico e, assim sendo, pode manter ainda um espaço para aberto para gentileza em seu amargurado coração.
Em terceiro lugar, bem, penso simplesmente que o abismo salarial que observamos não apenas em nosso país mas em todo o mundo, reflete justamente a importância e o valor atribuído a cada trabalhador de acordo com as necessidades de funcionamento do sistema capitalista. Não existe qualquer embasamento moral para isso e nem adianta procurar, pois o capitalismo em seu estágio mais atual se desvencilhou totalmente de qualquer entrave ético. Por este motivo, o assustador e terrível grau de diferença salarial com o qual convivemos atualmente, pode corretamente ser considerado como desigual e até perverso (eu mesmo acho isso), mas não o é igualmente injusto. O fato é que, um Neymar da vida, é muito mais importante para o movimento do mercado do que um gari (em detrimento da importância imensamente maior, efetiva e real do gari para todos nós, humildes mortais; eu, por exemplo, detesto lixo!). Logo, a injustiça é evidente, mas ela somente aparece para aqueles que desconfiam e se posicionam de uma maneira crítica com relação ao sistema econômico dominante. Porém, para todos aqueles que confiam na prosperidade do sistema capitalista essas distinções praticamente inexistem. E pior, no íntimo, eles ainda acreditam na possibilidade de um dia ganhar tão bem quanto Neymar... ufff! Tudo isso seria até cômico, se não fosse tão trágico!
É, eu até adimiro mesmo o alto teor imaginativo desses indivíduos que são capazes de harmonizar os impossíveis, mas infelizmente, esses tipos de confabulações ideativas não se sustentam após um minimo teste de confrontação de forças imposto pela dura realidade da experiência e, desse modo, penso honestamente que seria melhor (ou eu prefiriria) que, em vez de ficarem tagarelando e atormentando o mundo com seus devaneios carnavalescos ou alucinações fantasmagóricas, a maioria deles (não precisava nem ser todos) ficassem mais tempo quietos dentro de casa - quem sabe refletindo, meditando, estudando ou até dormindo? - e deixassem o pouquito restante de nossa sanidade, em paz!
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