Anteriormente, me referi já aos delírios do PT e da esquerda marxista como um todo (isso na medida em que o PT se identifica ou se identificava com a teoria de Marx, mas a impressão honesta que eu tenho agora é que esses esquerdistas ditos mais radicais não suportaram a política de negociações, barganhas e coalisões do PT quando este se infiltrou no poder e para perpetuar a eterna ânsia de revolta, abandonaram o partido e se associaram com alas mais retrógradas do pensamento político moderno. Repetiram assim em ampla e coletiva escala a tragédia de dom quixote, que não aceitava as mudanças de seu tempo, e se refugiaram numa idéia filosófica política delirante do século XIX). Agora acho justo precisar a dimensão deste delírio: trata-se da pressuposição filosófica materialista de que existiria um movimento dialético - leia-se progressivo - da história expresso por uma "luta de classes" em torno de uma suposta expropriação originária do capital. Expropriação esta possibilitada pelo domínio e controle dos meios e instrumentos de produção material da riqueza por parte dos capitalistas e a consequente alienação dos trabalhadores envolvidos no processo de trabalho, (transformação material da natureza). Não obstante, mesmo sem conseguir oferecer nem sequer uma prova material deste processo (dado que ele não é de forma alguma auto evidente e muitas questões geradas por essa tese não conseguiram ser devidamente elucidadas), Marx foi além dessas especulações históricas e se aventurou ainda no terreno das projeções futuras - tal como a mãe Diná: ele predisse que o capitalismo era apenas uma etapa, mas uma etapa necessária desta dialética, e que este deveria ser substituído por um período de socialização dos meios de produção (período chamado de socialismo, ou de DITADURA do proletariado) para depois ainda ser superado finalmente pelo comunismo, ou seja, a mais perfeita e eqüitativa distribuição não só dos meios de produção quanto também das riquezas materiais geradas pelo trabalho humano.
Em suma, o paraíso perdido que o mito cristão oferecia apenas para os homens bons e mesmo assim no pós-morte, a fantástica mitologia marxista (travestida de sociologia da história) prometia para todos (todos os fiéis ao partido, é claro) e logo aqui na terra - olha só que maravilha!
Marx era tão delirante, mas tão insano, que ele acreditava alá Hegel em uma espécie de soberania determinista da história, e que a materialização de sua profecia era apenas uma questão de tempo e espera; ele alucinou que isso aconteceria com ele ainda vivo e tal como um bebê indefeso ficou esperando até morrer seco e sujo na miséria...
Daí, para entender essa grande bobagem que beira a perversão e se expressa em termos como "ódio da/a classe média", "elite branca", "sentimentos de raiva contra os pobres que não deveriam progredir materialmente em suas existências" (e todo esse discurso cruel e impiedoso PROJETADO para as políticas que simplesmente não concordam com a base filosófica da esquerda) é só um pulinho: a raiva é um afeto absolutamente natural, e Marx da um foco para ela quando elege o capital (e consequentemente, os capitalistas) como os representantes da injustiça social do mundo (coisa que obviamente o mundo já é por sua própria natureza). O sujeito até então não sabia o que lhe incomodava, mas depois ler Marx ou participar de algumas aulas na universidade ele descobre com a dona Marilena chauí, que a culpa é da "classe média"... A essa altura a vaca já foi pro brejo! Mas se acreditarmos em marx, teremos que acreditar também que nascemos todos com uma dívida, e pior, a dívida é ancestral: algo do tipo, "seu avô colonizou, escravizou e explorou o meu avô, e você me deve o que então era para ser meu... Sendo nada mais do que a uma questão de 'justiça histórica' o meu direito vingativo de retaliação..."
O raciocínio é típico de primeira série de escola; eis um queixume aí capaz de se estender infinitamente para o passado, com a expectativa de um acerto de contas vingativo no futuro; essa loucura não tem fim! Se acreditarmos em Marx, seremos ou crianças eternamente culpadas pelo mal que produzimos aos trabalhadores, de um lado, ou crianças eternamente vitimizadas e injustiçadas sedentas de vingança, pelo outro... O sistema é todo ele paranóide!
Precisou vir o século o XX, e as ditaduras sangrentas do leste europeu para descobrir que as previsões de Marx estariam absolutamente equivocadas e que o socialismo, ao contrário do que se pressupunha, não se revelou como um modelo econômico auto-suficiente, pois ao contrário do capitalismo (que nada mais é do que um modo de produção em larga escala), o socialismo se mostrou - e se mostra ainda como podemos observar em certos países da América latina - como um modo altamente ineficiente de produção de riquezas para a sociedade. Ele é sim um modelo político, isto é, de domínio de poder sobre os meios de coerção e gerenciamento das riquezas, mas riquezas produzidas invariavelmente as custas da atividade e dos rendimentos capitalistas. Se a cartilha portanto, consiste somente em modos de conquistar e ampliar as medidas de poder, então não existem princípios morais e éticos a serem obedecidos e quando se está lá, não há outra coisa a fazer se não aparelhar cada mais o estado de funções controladoras ou normativas. Neste sentido, os petistas e esquerdistas (e lula é um excelente exemplo dessa vida descuidada) aprenderam bem a lição maquiavélica: os fins justificam os meios e pela causa revolucionária, que segundo essa filosofia encarna o bem absoluto, pode se fazer toda e qualquer coisa para permanecer no poder, que é, afinal, o seu único e limitado objetivo.
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