O impulso criativo não é um produto da consciência. Ele irrompe na consciência já pronto e os grandes gênios, filósofos e poetas da humanidade sempre "souberam" disso - ao menos ao nível de seus respectivos inconscientes.
Por outro lado, é absolutamente necessário que exista uma consciência atenta (um ego forte - e por quê não dizer também corajoso) para acolher tal impulso, caso contrário, esse impulso se perderá - tal como como ocorre com as inúmeras possibilidades interessantes que se perdem nos desencontros básicos do acaso que permeiam e infestam o nosso cotidiano.
É desse modo que podemos compreender a fragilidade de todo processo criador, assim como também torna-se mais clara a situação aparentemente paradoxal em que observamos que um impulso criativo "nasce morto" (por assim dizer), pois este impulso não acolhido pelo Eu consiste em nada mais do que outra possibilidade perdida.
É justamente aqui que a inteligentíssima observação de William James recebe um profundo significado e vigor, pois é certo que todo "aquele que se recusa a abraçar uma oportunidade única perde o prêmio tão certamente quanto se tivesse tentado e falhado".
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